ORGANIZAÇÃO COLETIVA É SÓ PARA OS CORAJOSOS
Pastor Henrique Vieira
Considerando que as características da nossa sociedade desprezam categorias totalizantes, universalizantes, paradigmáticas, comunitárias e sociais se torna extremamente desafiador participar de construções coletivas e democráticas.
O sentido da vida tem se centrado na auto satisfação do indivíduo. A intensa competição anula laços de solidariedade e fraternidade. O ideário liberal individualista enfraquece a noção de bem comum, de partilha, de igualdade e de humanidade. O determinismo abafa esperanças, zomba da utopia e naturaliza a realidade humana, desconsiderando outro mundo possível.
No campo teológico isto se expressa muito bem na teologia da prosperidade, em que tudo é possível ao indivíduo, mas nada é discutido no social, no coletivo, no político, no comunitário. É a mais que perfeita sacralização de uma sociedade individualista. É a privatização e a individualização da fé, é a perda da noção histórica, concreta e comunitária do Reino de Deus.
Muitas igrejas têm centrado seus esforços nos indivíduos isoladamente, tornando-se mercados de atendimento de necessidades. Por exemplo: diante de crises econômicas que agravaram e muito as tensões sociais por todo o mundo propunham mecanismos religiosos e “espirituais” de enriquecimento individual.
Não havia nenhum debate a respeito das causas da crise, dos motivos que levaram á crise, dos determinantes da pobreza e da desigualdade e dos possíveis caminhos que podem ser percorridos para construção de uma sociedade mais justa e de um povo mais feliz. Tudo no indivíduo, pelo indivíduo, nesta falsificação do indivíduo que se faz pouco social.
Diante deste quadro avassalador a percepção do Reino de Deus enquanto projeto para toda a humanidade e o engajamento concreto e não meramente discursivo em projetos coletivos se torna desafiador e contra fluxo.
Toda construção coletiva requer perdas, debates, altruísmo, autocrítica, renúncias, desprendimento, paciência e valores fraternos no coração. É preciso coragem, é preciso perseverança, é preciso paixão e amigos.
Que a nossa igreja seja uma construção coletiva com o objetivo de sinalizar o Reino de Deus e que provoque em seus membros um ânimo, uma provocação existencial para tenham coragem e aceitem a flor e o espinho, o prazer e a dor de construir coletivamente um mundo melhor em nome de Jesus.
Fraterno abraço
Pastor Henrique Vieira
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